China vai testar primeiro reator nuclear considerado limpo

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Experimento do reator de sal derretido do Laboratório Nacional de Oak Ridge, nos EUA, dos anos 1960. Foto: Divulgação

Cientistas do mundo inteiro seguem em busca de inovações. O foco agora é aprimorar as atuais técnicas em prol do meio ambiente. Na China, especialistas vão testar o primeiro reator nuclear que não precisa de água para resfriar. A proposta vem sendo vista como o primeiro modelo de reator nuclear “limpo”.

Isso porque sua à base é feita de tório líquido (em vez de urânio) e sal fundido, que produz resíduos mais seguros. O tório se resfria e se solidifica rapidamente quando exposto ao ar. O que significa que qualquer potencial vazamento resultaria em muito menos radiação no ambiente em comparação com os vazamentos de reatores que funcionam com urânio.

Os reatores de tório dissolvem seu elemento-chave em um sal de flúor, que produz principalmente urânio-233, substância que pode ser reciclada em outras reações. Outras sobras da reação têm meia-vida de “apenas 500 anos”, diferente dos tradicionais que duram mais de um milênio, podendo chegar a 10 mil anos.

O tório é um metal prateado e radioativo. É muito mais barato e mais abundante que o urânio, e não pode ser facilmente usado para criar armas nucleares.

Como este tipo de reator não requer água, os cientistas afirmam que ele será capaz de operar em regiões desérticas. A localização do primeiro reator comercial será na cidade deserta de Wuwei. O governo chinês tem planos de construir mais por meio dos desertos e planícies pouco povoados do oeste da China. Bem como de até 30 países envolvidos na iniciativa “Belt and Road” — um programa de investimento global que verá a China investir na infraestrutura de 70 países.

O reator deve ficar pronto esse mês e os primeiros testes vão ser feitos já em setembro. Um reator comercial em grande escala deve estar pronto em 2030, segundo a estimativa da pesquisa.

Ações para conter a crise climática

A iniciativa faz parte do esforço do presidente chinês Xi Jinping para tornar a China neutra em carbono até 2060, de acordo com a equipe do Instituto de Física Aplicada de Xangai, que desenvolveu o protótipo. Atualmente, a China contribui com 27% para as emissões globais totais de carbono. Isso é equivalente a maior quantidade de qualquer país individual e mais do que todo o mundo desenvolvido combinado, segundo um relatório de 2019 do Rhodium Group, com sede nos EUA.

Essa não é a única tecnologia que a China está investindo como parte de seu esforço para se tornar neutro em carbono. A barragem de Baihetan, a segunda maior instalação hidrelétrica do mundo, entrou em operação em junho e tem uma capacidade de geração de energia de 16 gigawatts. A consultoria de energia Wood Mackenzie, no Reino Unido, estima que a China adicionará 430 gigawatts de nova capacidade de energia solar e eólica nos próximos cinco anos.

Os esforços são muitos, já que a China está sob forte pressão de eventos climáticos extremos. Recentemente o país registrou inundações severas, deslocando mais de 100 mil pessoas e matando 33 na província de Henan. A agência meteorológica da capital da região, Zhengzhou, afirma que o nível de chuva coincide com níveis vistos apenas uma vez em um milênio.

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